Quarta-feira, Setembro 01, 2010

Riscos Top Down ou Bottom Up ?

Venho conversando com amigos consultores e outros profissionais que também trabalham com Gestão de Riscos e discutindo quais as vantagens de utilizar uma abordagem de riscos Top-Down ou Bottom-up.

No meio de agosto tive a oportunidade de conversar com o Senhor Michael Rasmussen em um treinamento em São Paulo e durante algumas discussões chegamos à conclusão que as duas abordagens são interessantes dependendo do contexto. Parece até resposta de consultor, mas vamos por partes.


A Análise Bottom-Up

Quando falamos, por exemplo, em análise de riscos de Segurança da Informação e ou TI é muito comum realizarmos a análise olhando diretamente para os controles e definindo o risco a partir da probabilidade e impacto caso o controle não esteja implementado, ou seja, uma abordagem puramente Bottom-Up.


Um exemplo simples e prático

Qual a probabilidade e impacto de ocorrência de vazamento de informação (Risco) caso a empresa não tenha um processo de Hardening (Controle) devidamente implementado?

Percebam que nesse momento não vou entrar no mérito e ou semântica do "devidamente implementado" e nem mesmo detalhar todos os aspectos técnicos relacionados a um bom Hardening, aqui cabe a simplicidade e também não vou mencionar outros exemplos aplicáveis a não TI.

No exemplo em questão a análise iniciou-se com a avaliação do controle para determinar o grau de risco.

E se quiséssemos determinar o risco para depois avaliar os controles aplicáveis?


A Análise Top-Down

Quando pensamos em determinar os riscos e depois avaliar os controles que podem mitigar os mesmos, invariavelmente estamos pensando em uma abordagem Top-Down ERM (Enterprise Risk Management).

Podemos afirmar que é muito complexo e diria que praticamente impossível começar com o mapeamento de todos os controles para depois disso apontar os riscos. Além disso, valem alguns questionamentos:

1- Será que devemos mapear controles para todos os riscos?

2- Vale o esforço?

3- Não seria mais adequado entendermos o que a Alta Gestão, Board, Investidores e ou partes interessadas entendem ser os riscos prioritários para a companhia para depois identificar os controles necessários (existentes ou não)?

4- Não seria mais adequado trabalhar os riscos de forma abrangente sem criar silos onde cada área determina o que quer avaliar e como, fazendo as suas análises Bottom-up de forma isolada?

Bom com todos esses questionamentos não quero influenciar o leitor a tomar um posicionamento que a abordagem Top-Down é mais adequada, afinal como mencionado anteriormente é necessário avaliar o contexto e determinar a melhor estratégia.

Porém cada vez mais testemunho empresas que usaram no passado uma abordagem Bottom-Up em silos e agora precisam integrar com a abordagem Top-Down (ERM).


Mais um exemplo simples e prático

Imagine uma empresa fictícia de capital aberto, do setor automotivo, que por sua vez deve atender inúmeras regulamentações, têm inúmeros desafios tecnológicos, busca por inovação constante, deve se preocupar com a concorrência interessada em informações sigilosas entra outras preocupações.

Agora imagine essa empresa com várias áreas realizando atividades de análise de riscos de forma isolada em seus silos, TI pensa em Riscos de Indisponibilidade, Segurança da Informação está preocupada com Vazamento de Informação, Integridade e bla bla bla, a área de Marketing e Vendas está preocupada em não perder clientes para a concorrência, já a área de engenharia está preocupada em não perder o bonde da inovação tecnológica, enfim, se perguntarmos quais os riscos e a importância dos mesmos, não tenham dúvida que cada um dirá uma coisa e muitas vezes com prioridade diferentes e conflitantes. Nesse cenário cabem novas perguntas:

1- Quais os riscos que devem ser avaliados primeiro?

2- Com o que a empresa deve se preocupar ou não?

3- Estes riscos não devem estar alinhados com os objetivos estratégicos da empresa?

4- Com base nesse cenário não seria o caso de ouvir quem paga as contas literalmente e saber deles quais riscos que não podemos correr?

Em um cenário como esse a abordagem Top-Down ERM se encaixa muito mais que a abordagem Bottom-Up de forma isolada.

Se olharmos, por exemplo, para o Guia de Boas práticas de Governança do IBGC ele define claramente que é de responsabilidade do Conselho de Administração definir o apetite e tolerância ao risco.

Sendo assim é fundamental saber:

1- O que é risco para o Board, Acionista e Diretores? Não existe negócio sem correr riscos.

2- O que na visão deles deve ser tratado?

3- Evitar o risco de Vazamento de informação é o mais importante (percebam que como profissional oriundo da área de segurança não estou dizendo que não devemos evitar o Vazamento de Informação, mas acho que o profissional de segurança nesse caso deve sair do seu mundo e encarar riscos de forma mais abrangente).

4- Se todas as áreas da empresa entenderem quais são os riscos "prioritários" não ficará claro para o que precisamos criar controles?

5- Então qual a razão de realizar análises de forma isolada, muitas vezes replicando tarefas e evitando a otimização e integração de processos? (Esse será assunto para outro artigo - GRC e Otimização de processos).


Resumindo

a. Na abordagem de ERM Top-Down falamos de controles somente depois que sabemos quais riscos a empresa (Board e demais interessados) não querem ou querem correr. Afinal como diria George Soros:

"Não há nada de errado em correr riscos; desde que não se arrisque tudo."

b. A análise Top-Down obriga uma aproximação muito maior com os objetivos estratégicos da empresa, não que a abordagem Bottom-Up não permita esse alinhamento, mas a chance de incoerência é maior.

c. Normalmente as análises de riscos Bottom-Up não consideram o Risco positivo já que estão olhando na maioria dos casos para os controles de mitigação, ou seja, desconsiderando um princípio fundamental apontado, por exemplo, na ISO 310000 (Risco Positivo).


Literatura recomendada

Para quem estiver interessado em ler mais sobre o assunto não poderia deixar de recomendar dois livros para começar.

a. Enterprise Risk Management

b. COSO ERM

Terça-feira, Junho 29, 2010

O Retorno

Após praticamente um ano estou de volta. Posso dizer que muita coisa aconteceu nesse período e por essas e outras não pude escrever como gostaria.

Ficar 6 meses em projeto longe da família trabalhando nos USA não foi fácil, mas posso dizer que o aprendizado prático e a troca de experiência com outros profissionais da área foi simplesmente facinante, realmente coisas que nem o nem Mastercard paga :).
A organização, pragmatismo e profissionalismo das pessoas com quem trabalhei nos USA com certeza serão fundamentais para o resto de minha vida. O desafio da língua, vencer o preconceito de ser tupiniquim e mostrar que nós brasileiros somos capazes foram por si só mais um combustível para aumentar o empenho e desejo de sucesso.

A saudade da família com certeza foi o que mais pesou, a distância de amigos, primos, familiares, minha noiva enfim, foi realmente difícil. A jornada foi cumprida e voltei para o Brazil para encarar novos desafios e ficar perto da família.

Pode até parecer estranho mas deixei nos USA amigos de verdade, pessoas que me acolheram como parte da família, mesmo com todo o frio de Minneapolis me senti acolhido por pessoas que com certeza somente Deus pode ter colocado em minha vida.

Após trabalhar em um projeto de Gestão de Riscos e Compliance nos USA me deparei com o assunto Governança Corporativa ainda trabalhando nos USA e decidi que quando voltasse ao Brasil precisaria me aprofundar no assunto.

Para tanto comecei a procurar literatura que pudesse me apoiar na resposta de algumas questões como:
- O que é Governança Corporativa?
- O que essa disciplina tem em comum com Segurança da Informação? (se é que tem).
- Qual a correlação de Gestão de Riscos e Compliance com a Governança Corporativa?
- E a Governança em TI, Governança de Segurança.
- Governança do que ?

Aliás diga-se de passagem existem milhares de especialistas de plantão, que após duas ou três "gogadas"saem dizendo um monte de termos interessante se vendendo como especialistas em Governança de qualquer coisa.

Outro dia lendo uma entrevista do presidente da Azul Sr. David Neelam me deparei com uma declaração que me fez questionar algumas declarações dos especialistas de plantão.

Segundo o Sr. Neelam para ser especialista no assunto são necessárias mais de 10.000 horas de dedicação. Vale ressaltar que o Sr. em questão fundou várias companhias aéreas e todas muito bem sucedidas, ou seja, ele tem mais de 10.000 horas de estudo e prática, portanto pode ser considerado muito mais que um especialista no assunto "Empresa aérea".

Comecei a ler e estudar um pouco mais sobre o assunto Governança Corporativa quando da minha volta ao Brasil. Comecei de forma bem acanhada, lendo um ou outro artigo sobre o assunto.

Conversando com algumas pessoas mais experientes no assunto fui direcionado para o site do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) e durante a minha saga de leitura e estudo me deparei com um livro do professor Professor Dr. Alexandre de Micelli, sem sombra de dúvida um dos maiores senão o maior estudioso e especialista do assunto no Brasil. Ele com certeza tem muito mais de 10.000 horas de dedicação ao assunto :).

Após essa leitura resolvi encontrar um curso em que eu realmente pudesse me dedicar a estudar e trocar experiências com profissionais experientes sobre o assunto.

Para a minha sorte (quem procura acha como se diz na minha terra), encontrei o Curso de MBA da FIPECAFI onde o coordenador em questão é nada mais nada menos que o Professor Dr. Alexandre de Micelli.

Estou muito longe de ter mais de 10.000 de dedicação ao assunto, mas um dia chego lá, enquanto isso pretendo periodicamente compartilhar com vocês opiniões, notícias e meu humilde entendimento sobre os estudos e ricas discussões sobre o tema nas salas de aula.

Bom por enquanto é isso, até o próximo Post onde falaremos sobre Insider Trading.

- O que é isso?
- O que a Segurança da Informação tem em comum com o tema?

Bom essas perguntas poderão ser respondidas somente no próximo Post.
Até lá.








Domingo, Junho 21, 2009

Os 10 maiores CEOs fraudadores

A Governança Corporativa tem sido vista como uma das principais formas de "proteger os direitos dos acionistas ou de todos os interessados, conhecidos como stakeholders" - segundo Wentges 2002, p.74.

Percebe-se porém uma expressiva falta de integridade na esfera social por parte dos responsáveis em dirigir e controlar corporações - A Nova Governança Corporativa de Martin Hilb, 2009, p.14.

Esse comportamento pode ser observado em passado recente nas grandes corporações, seja no âmbito do conselho, CEO, CFO e auditores entre outros. Adicionalmente o uso de stock options e bônus astronômicos são questionáveis.

Recentemente a Time publicou a lista dos 10 maiores CEOs fraudadores dos EUA. É sempre bom aprendermos com o passado e pensarmos que mesmo utilizando-se das melhores práticas de governança corporativa ainda dependemos diretamente do bom caráter de cada um dos executivos envolvidos diretamente e ou indiretamente nas decisões corporativas (no interior chamamos isso de "bom berço").

Se pensarmos que um dos maiores desafios (a muito tempo batido) em Segurança da Informação é garantirmos a segurança em pessoas, percebemos rapidamente que esse também é o desafio para a Governança Corporativa, ou seja, como podemos manter "controle" sobre as ações de altos executivos sem engessar o negócio, mantendo a rapidez e autonomia na tomada de decisão, sem comprometer ou permitir que os interesses individuais (ganhar grandes bônus) sobreponham todos os outros interesses da sociedade, governo, funcioninários, meio ambiente e todas as "camadas" envolvidas pelas tomadas de decisão e gestão das grandes corporações.

Pergunto aos leitores, como o risco em pessoas pode ser analisado, avaliado e tratado?

Em A Nova Governança Corporativa de Martin Hilb, 2009 o autor sugere que o gerenciamento de risco é uma tarefa que pertence ao conselho de administração, assim como a responsabilidade pela sua direção, necessitando porém uma forte integração entre o nível estratégico e operacional.

Então qual é o desafio para garantir essa integração? Abaixo algumas sugestões:
1- Implementar uma linguagem comum de gestão de riscos corporativos em todos os níveis da corporação (Estratégio, Tático e Operacional).
2- Definir as responsabilidades no mapeamento e gestão de riscos em cada um dos níveis.
3- Identificar o apetite de riscos da corporação.
4- Garantir que o mapeamento dos riscos possibilite a visão clara de interdependência das ações, evitando a abordagem fragmentada e isolada, que ocasiona a sobreposição de ações e gastos desnecessários.
5- Evitar uma visão exclusivamente operacional dos riscos.


No próximo post falaremos mais sobre os desafios e Frameworks de implementação de ERM.

Segunda-feira, Março 02, 2009

O mundo em 2019

Vídeo apresentado pela Microsoft demonstrando como poderá ser o mundo em 2019, totalmente integrado com as tecnologias que conhecemos hoje e até mesmo as que ainda não conhecemos.

E como fica a segurança nesse cenário?

Sábado, Dezembro 20, 2008

Para corredores

Para não misturarmos os assuntos, inicia-se hoje a SAGA Maratona 2009. Para quem já me conhece um pouco sabe que amo a corrida e no blog estarei publicando artigos e comentários sobre a trajetória.

Então para os amantes da Segurança, Tecnologia e Corrida sejam bem vindos.

Até os próximos Posts.

Sexta-feira, Outubro 31, 2008

A história se repete

Os pronunciamentos de Nicolas Sarkozy e de Dominique Strauss-Khahn nos permite inferir sobre o que nos aguarda (talvez muito mais rápido que possamos imaginar).

Talvez os leitores se recordem das empresas Enron, Tyco International, Adelphia, Peregrine Systems e lógico não poderíamos deixar de mencionar a WorldCom. As empresas em questão foram responsáveis por um escândalo que custou bilhões de dólares aos investidores americanos. Essa CRISE praticamente obrigou as autoridades americanas a criarem a SOX com o objetivo principal de regulamentar e recuperar a confiança dos investidores do mercado americano.

Se fizermos um paralelo com as notícias mencionadas e pensarmos na quebradeira (efeito dominó) dos Bancos, outras instituições financeiras e outros setores, é praticamente impossível não concluírmos que teremos novas regulamentações e todos os desdobramentos conhecidos (mais controles).

Agora acho importante ressaltar que a existência de regulamentações e boas práticas não garante o funcinamento da "máquina". A recente quebradeira de bancos americanos nos mostra isso.

Os bancos americanos estavam trabalhando com um índice de alavancagem muito maior que o recomendado pelo Banco Central Americano, mas pergunto, se a recomendação existia como o Banco Central americano demorou tanto tempo para reconhecer o risco, não estava monitorando adequadamente? Ou será que simplesmente aceitou o risco ou pior que isso omitiu esse risco literalmente rezando para que a coisa mudasse.

E como se não bastasse a "coincidência" de fatos, como ficam as auditorias independentes realizadas? Vale recordar que a Arthur Andersen simplesmente sumiu do mapa após os escândalos detectados.No caso dos Bancos as auditorias não perceberam nada antes? Quem auditava o Lehman Brothers por exemplo?


Onde há crise há oportunidade. Com a crise mundial podemos afirmar que teremos novos desafios para adequação as novas regulamentações, normas e alterações na forma de conduzir os negócios, trazendo consequentemente oportunidades para implementação de melhorias, integração, otimização orientada a Risco e atendimento aos objetivos estratégicos definidos, premissas essas totalmente aderentes ao conceito de GRC.

Será que a onda veio mais rápido que esperávamos, ou será um Tsunami?

Domingo, Setembro 21, 2008

A caminhada.

Gostaria hoje de compartilhar com os leitores do Blog a alegria que tive no dia de ontem (20 de setembro) ao voltar à Universidade São Francisco onde me formei em Engenharia de Computação em 2001.

Foi muito importante ter voltado onde praticamente se iniciou minha carreira(6 anos antes em 1995) podendo falar da minha profissão para os alunos da Graduação.

Adoro esse contato com as Universidades, a sagacidade dos alunos por conhecimento me faz sentir cada dia mais jovem, forte, disposto e motivado a continuar, literalmente me "recarrega as baterias".

Ontem me recordei de uma citação do professor Randy Pausch, pessoa que não tive a oportunidade de conhecer (infelizmente) mas que lendo seu livro e procurando um pouco de informações de sua vida é fácil descobrir um ser humano simplesmente fantástico, um exemplo de vida.

O professor Randy menciona em seu livro que ele sentia nas aulas e palestras que ministrava uma prazer enorme ao saber que nas aulas tinha a oportunidade de ajudar outros estudantes a obter conhecimento e se tornarem pessoas melhores (prova viva de doação).

Quando ministro aulas realmente tenho um prazer enorme em trocar conhecimento e saber que posso ajudar outras pessoas a refletir sobre segurança da informação ou sobre a própria vida. Sinceramente acredito que a reflexão seja um caminho curto para o equilíbrio e felicidade.

Ontem durante a palestra de 1 hora e meia, falei sobre a evolução da Área de Segurança da Informação, o cenário atual e as perspectivas de carreira. Achei importante destacar que quando eu fiz Universidade o assunto não era tão "abortado", ou seja, é fundamental aproveitar esse momento, muitas coisas que aprendi na área necessitaram de horas e horas e horas de auto estudo e dedicação (não que isso ainda não seja necessário), mas hoje o assunto está mais presente na vida "universitária" dos alunos, basta verificar a existência de matérias de segurança na própria graduação.

O tema por sí só já é muito interessante, e os alunos participaram ativamente com perguntas, realmente foi muito prazerozo e diria também que divertido.

No final da palestra fiz questão de enfatizar a emoção de estar na Universidade (detalhe na sala onde tive várias aulas de cálculo, física entre outras matérias), para trazer conhecimento, podendo assim me tornar também fornecedor de conteúdo e experiências para os alunos da gradução.

Será um momento a ser lembrado, andando pelos corredores vi um filme muito rápido passar pela minha cabeça com várias cenas, dificuldades superadas, desafios vencidos até chegar aqui nesse momento.

Isso só me da mais energia, permitindo saber que ainda existem muitos desafios a vencer mas que quando chegar lá, poderei olhar para trás com orgulho da caminhada.

Certa vez ouvi um provérbio (acho que chinês) que dizia mais ou menos assim... (Eu acho - rsrs).

"O mais importante não é chegar no topo, mas aproveitar toda a caminhada até lá".

Acho que é isso.

Mais um momento muito bacana, simples, mas inesquecível.